O início

Em 1983, depois do fim da ditadura, as empresas estatais perceberam que as negociações trabalhistas com seus funcionários, que nem se podia chamar de "negociações", teriam que mudar. A partir daquele momento, em virtude dos acontecimentos históricos, os trabalhadores chamariam para si a responsabilidade de negociar com o governo e não aceitariam mais as decisões de gabinete, impostas de cima para baixo. O caminho natural seria a organização dos trabalhadores em entidades de classe, que passariam a defender seus interesses, respaldadas pela representatividade de uma eleição.

 

As empresas tinham interesse em criar um sindicato que, a princípio, não representasse uma ameaça. Por isso, o próprio corpo gerencial das empresas de energia estabelecidas no Distrito Federal, no fim daquele ano, tratou de plantar a semente do que depois se transformaria no Sinergia-DF. À frente dos trabalhos estava Paulo Luiz Silva Araújo Sampaio, assessor da presidência da Eletronorte, indicado pela empresa para estudar a criação de uma entidade sindical. As discussões eram abertas a quem se interessasse em participar. Em janeiro de 1984 foi criada a Associação dos Eletricitários, uma associação pré-sindical, que depois viria a chamar-se Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica do Distrito Federal, SINEBRA. A primeira diretoria foi eleita por aclamação, em assembléia realizada no Cedrhus. Paulo Sampaio foi o primeiro presidente.

 

Era Sampaio quem fazia a pauta de reivindicações, discutia com a empresa e aceitava ou não as propostas. Depois, fazia uma assembléia para comunicar sua decisão. O presidente permitia a manifestação de quem quisesse, mesmo que suas opiniões fossem divergentes, mas no final a decisão era dele mesmo.

 

As reuniões já aconteciam na sede alugada, no Venâncio 2000. Um dia, indignado com a forma como o Coronel Sampaio, como era conhecido, dirigia a Associação, um grupo de cinqüenta funcionários da Eletronorte invadiu uma assembléia, que se realizaria no auditório da CNTI, reivindicando que as propostas fossem discutidas com os trabalhadores. O clima esquentou e depois de muita confusão, Sampaio, sem ter como contestar os argumentos apresentados pelo grupo de trabalhadores, decidiu renunciar. Assumiu então a presidência o vice, Antônio de Pádua Loures Pereira, empregado da CEB.

 

Em maio de 85, a Associação dos Eletricitários recebeu a tão esperada Carta Sindical, que permitia sua transformação em sindicato. As eleições foram marcadas para setembro daquele mesmo ano, quando foi eleita a primeira diretoria do Sinebra. Os grupos da CEB e da Eletronorte, com maior representatividade dentro da chapa vencedora, não chegaram a um acordo sobre quem seria o candidato à presidência e optaram por indicar Nazário Moreira Neto, de Furnas.

 

A renúncia

A posse da primeira diretoria eleita do Sindicato aconteceu em dezembro de 1985. Oito meses depois, em pleno desenrolar de uma greve, Nazário surpreendeu a todos renunciando à presidência. O vice-presidente, Antônio Rodrigues do Amaral, empregado da CEB, assumiu a presidência. Estava diante do maior desafio de sua vida, segundo ele mesmo. Sem jamais ter falado em público, Amaral foi obrigado a encarar diariamente uma assembléia de trabalhadores em greve para falar sobre o andamento das negociações. Depois de alguns dias de assumida dificuldade em dar o seu recado, o novo presidente incorporou os desafios que se apresentavam, convenceu-se da importância do papel que naquela oportunidade lhe cabia e passou a desempenhar suas funções com competência e segurança, como reconhecem até hoje seus companheiros da época. Daí pra frente, Amaral completaria aquele e mais dois mandatos para os quais foi eleito. A partir do segundo, já no sistema de diretoria colegiada, que vigora até hoje, onde não há a figura do presidente e as decisões são tomadas conjuntamente pelos diretores, que têm cada um o mesmo peso dos demais. 

 

A primeira eleição

Nos dias 26, 27 e 28 de novembro de 85 foi realizada a primeira eleição para a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica no Distrito Federal, SINEBRA. A chapa 1 (Participação), encabeçada por Nazário Moreira Neto, formada por 10 trabalhadores da CEB, 10 da Eletronorte e 4 de Furnas, foi a vencedora. Seus integrantes podiam comemorar um feito histórico: nascia ali a primeira diretoria eleita para o hoje conhecido e respeitado STIU-DF, então apenas o projeto de um grande sindicato.

 

De Sinergia a STIU-DF

Em maio de 1998, o V Congresso dos Eletricitários aprovou a transformação do Sinergia em Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas, nas Atividades de Meio Ambiente e nos Entes de Saneamento, Gás e Meio Ambiente no Distrito Federal. Um ano depois, o Ministério do Trabalho e Emprego expediu a nova Carta Sindical da entidade, concretizando assim a deliberação do Congresso, e nosso sindicato passou a ser conhecido a partir de então pela sigla STIU-DF.

 

O Sindicato na luta nacional dos eletricitários

O Sindicato dos Urbanitários participou, desde a sua criação, de todos os movimentos que visavam a unificação da luta, da negociação das datas-base e das pautas de negociação dos diversos sindicatos de eletricitários espalhados pelo País. Em 1989, foi criado o Comando Nacional dos Eletricitários, hoje conhecido como Coletivo Nacional. O então Sinergia-DF foi um dos pais da idéia, junto com os demais sindicatos progressistas.

 

A criação das Intersindicais teve também a participação ativa do STIU-DF. Tentando mudar a realidade até então existente, as Intersindicais passaram a reunir os representantes dos trabalhadores das empresas (Eletronorte, Furnas e ONS) para discutir toda a estratégia de negociação, com o esforço concentrado dos trabalhadores de cada Estado. Problemas e reivindicações comuns passaram a ser tratados em bloco, por todos os sindicatos. Somente os problemas específicos de cada sindicato eram tratados individualmente.

 

Até então os trabalhadores de uma mesma empresa, filiados a sindicatos diferentes em virtude da localização em estados diferentes, não tinham uma pauta única de reivindicações. Cada sindicato fazia sua negociação com a direção da empresa. Muitos nem se davam ao trabalho de lutar; esperavam que outros o fizessem, pois sabiam que tudo o que conseguissem seria repassado a eles também. A criação das Intersindicais de Furnas, da Eletronorte e posteriormente do ONS pôs fim a essa prática. Os sindicatos ficaram mais fortes.